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Notícias e entretenimento

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Local: Teresina, Batalha, Piauí, Brazil

28 julho 2006

SUPERMAN

Uma amiga minha, a advogada Mara Albuquerque, costuma me chamar de Sr. Repórter. Já chamou até de Clarck Kent. Bondade dela, ou exagero. Não tenho super poderes, muito menos a tela daquele ator. Mas ao assistir ao filme "Superman o Retorno", percebi que eu e o personagem temos muita coisa em comum. A principal semelhança é sermos repórteres. As outras não vou falar.Mudando de assunto, mas ainda em torno do Super-Homem, quem assistiu ao "Superman I", década de 80, lembra da hora em que uma bomba explode, abre-se uma fenda no chão e Lois Lane, dentro de um carro, cai e morre. Super-Homem estava resolvendo as coisas do mundo, esquece do amor e quando volta se desespera. Decide então mudar o curso do mundo, faz com que a Terra volte ao contrário para que tenha a mulher dele de volta e consegue. Já no filme "O Retorno", conta que o herói foi a uma viagem no universo tentar encontrar algum vestígio do planeta de onde veio. Depois de quase cinco anos, retorna e encontra Lois Lane casada e com filho. Ao Superman foi dada a chance de amar. E ouvi dizer que "a primeira vez é sempre a última chance". Essas oportunidades aparecem como um flash em nossa vida. Se as deixamos escapar, outro dia poderá não ser mais possível. Algumas pessoas pensam que devemos nos preocupar apenas em resolver os problemas do mundo e que o amor será uma sorte. Pelo contrário, devemos lutar por ele. O homem já foi capaz de construir grandes máquinas que cruzam os ares, e o fundo dos oceanos. O homem pode realizar muitas obras, mas só o amor institui as obras mais altas. O amor está em tudo, em todos os seres. Os lírios não tecem, as aves não guardam provisões e misteriosa força fornece-lhes o necessário. Quando o homem age de forma tão fria, é preciso enrijecer o coração cada vez mais, pois, fora do equilíbrio, encontrará o sofrimento na restauração indispensável das leis extremas desse mesmo amor.O amor não é apenas deste mundo. É do universo inteiro, de todas as galáxias, de todas as constelações. O Super-Homem é do planeta Kripton e foi capaz de amar. Somos desse mundo, amamos, mas tentamos esquecer disso por acharmos que não precisamos. Talvez esteja faltando um herói de sentimentos. Como diria a tropicália, quem sabe o Superman venha nos restituir a glória mudando como um deus o curso da história por causa do amor.

25 julho 2006

TOCAIA – Parte III

No capítulo passado, o estuprador era massacrado...
- Chefe, nem cirurgia dá mais jeito.
- Tem mais: cortem o pau e os culhões do safado e passem na frigideira.
- Meus direitos, doutor?
- Agora coma uma calabresa com ovos bem passados.
- Ele desmaiou, chefe.

No capítulo de hoje...
- Acorde, qual o problema?
- Se ele morrer, chefe?
- Gente ruim não morre.
- E agora?
- Bota álcool na venta dele.
- Vou atrás dos meus direitos, doutor.
- Faço o que com ele, chefe?
- Largue no mesmo lugar que encontrou.
- Chefe, ele vai dar com a língua nos dentes.
- Então corte a língua dele, ora.
- Mais isso, doutor? Pelo amor de Deus!
- Pois tá bom. Quebre os dentes dele.
- Não, doutor. Muita malvadeza. Já basta o que fizeram comigo.
- Pode deixar, chefe. Dou um jeito nele.
- Corre, viadinho, corre!
- Não me mate moço. Tenho três filhos pr...
- Ave Maria, chefe! Chega dá desgosto matar um cabra frouxo desse.
- Bom trabalho. Agora me deixe ir à Polícia Federal participar de um debate sobre a pena de morte.
- A favor ou contra, chefe?
- Contra, é claro. Muito desumana. A justiça tem que ser exemplar e rápida.

The End

21 julho 2006

URUBUS DO FLAMENGO

Sou flamenguista e não assisti ao jogo. Cometi a heresia de assistir a um filme de 21h20 no cinema. Na sala quase vazia, olhei para os lados e só vi velhinhas. Algumas mulheres em grupo. Um ou outro marmanjo - tricolores, botafoguenses. Antes dos trailers, deu para ouvir gritos de "Vasco" pelas ruas. Depois, o pessoal zen do cinema sacou os celulares sem disfarçar a preocupação com o placar final da partida. Os que descobriam, passavam a notícia ao vizinho. E começaram as mentiras: “Flamengo, de virada, 6 jogadores expulsos”. Foi aí que me dei conta: 99,9% das mulheres estavam torcendo contra o time de coração do marido, namorado, pretendente, tico-tico-no-fubá. Todas imediatamente fecharam os olhos: “droga. Os desgraçados ficaram bêbados e voltarão tarde para casa” - se voltassem. Elas, cheirosinhas, cabelo escovado, ar blasé. Eles, felizes, suados, tortos, cantavam hinos e não mulheres. Ouvi dizer que torcer contra o Flamengo era torcer a favor do namoro e que, na comemoração de final de campeonato, as chances de chifre se multiplicam. Será? As mulheres, como sempre, devem estar com a razão.

Se dou sorte e o beijo está gostoso, custo a abrir os olhos. É flagrante, mas não é paixão. Demoro. Olhos no olhos. Os seus são tristes? Digo que não: é só o formato e não o olhar. Algumas caem. Outras tentam me desvendar. Resisto, escondo, estrago tudo. Fujo. Enfim.

19 julho 2006

Os leitores estão pedindo, estou atendendo. Textos radicais, estou fazendo. É só por uns tempos.

12 julho 2006

TOCAIA – Parte II

No capítulo passado, os jagunços estavam prontos para eliminar o estuprador...
- Os homens tão só esperando, chefe.
- Fez essa maldade, por quê? Me conta.
- Doença, doutor, mais forte que a gente.
- Desculpa esfarrapada, chefe. Ele não vale uma cibalena.
- Não me mate, doutor, pelo amor de Deus.
- Um tiro apenas, chefe, pra economizar bala.

No capítulo de hoje...
- Como cristão devoto, sou contra. Uma boa surra resolve.
- Por favor, não deixe que me batam, doutor!
- Olha, vagabundo, deixa eu te apresentar uns caras loucos por tarado.
- Tudo, doutor, menos ser feito de mulher.
- Na hora de estuprar, tu não pensou na coitadinha.
- Prefiro morrer, doutor.
- Conheça as peças: Deformado, Zé bigode, Sarará e Nicodemos.
- Quero meus direitos.
- Um de cada vez, enquanto os outros seguram.
- Doutor, não.
- Não gozem dentro, mas no caneco.
- Pelo amor de sua mãezinha, doutor.
- Só duas vezes cada um. Ouviram?
- Chefe, nem cirurgia dá mais jeito.
- Tem mais: cortem o pau e os culhões do safado e passem na frigideira.
- Meus direitos, doutor?
- Agora coma uma calabresa com ovos bem passados.
- Ele desmaiou, chefe.

A continuação dessa história.... Não perca o próximo capítulo de TOCAIA!

06 julho 2006

GREVE

Estou de greve. Greve de ar. Hoje, nada de ar. Nem uma gota. Hoje, viver sem ar. Sem fôlego. Oxigênio mata. Enferruja as células. Nada, nada, nada de ar. Nem uma gota. Morrer sem ar? E quem morre por falta de ar? Morre-se por falta de amor, isso sim. Falta de ar não mata ninguém. Não. Nada de ar. Nada. Melhor deixar aqui dentro só o que já está aqui dentro. Perigoso esse negócio de respirar. Cada inspirada uma multidão de bactérias, medo e vírus. Quem sabe o que mais pode vir? Cada expirada um mundo de partículas de nós espalhadas por aí. E onde vamos parar? Nada disso. Hoje, não inspiro. Não expiro. Não inspiro. Não expiro. Hoje, fico vivo e não respiro. Oxigênio mata. Falta de ar não mata. Oco na barriga mata. Falta de ar não mata. Vazio no coração mata. Falta de ar não mata. Não. Nem uma gota. Nada. Hoje, não. Nada de ar. Melhor: ar, agora, só quando você voltar. Nem hoje nem dia nenhum enquanto você insistir em deixar presente essa sua ausência. Não respiro. Não quero mais ar. Nem uma gota, até você voltar. Porque falta de ar não mata. O que mata é a falta de você. O que mata é esse vazio que você deixa no ar. Nada. Hoje, nada de ar. Nem uma gota. Nada. Nem hoje, nem nunca. Só quando você voltar.

01 julho 2006

"...coragem é ir ao ideal e compreender o real... É a verdade e dizê-la; é não seguir a lei da mentira triunfante, e não fazer da nossa alma, da nossa boca e das nossas mãos, eco dos aplausos e dos gritos fanáticos..."
(Jean Jaures, em "Discours a la Jeunesse")