ENCERRADO

Notícias e entretenimento

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Local: Teresina, Batalha, Piauí, Brazil

26 setembro 2008

TIPO DE HOMEM

Descobri um novo tipo de homem. Muitas mulheres gostariam de tê-lo: é o Homem Cachorro. A mulher chega pra ele e diz:
- Vem cá! Vou te botar uma coleira.
- Lambe meus pés!
- Deita no chão!
- Vou passar por cima..


TEATRO DOS VAMPIROS
Renato Russo, lá de Brasília, dizia que TV é um “Teatro dos Vampiros”. Não concordo. Vampiros sugam nosso sangue (se bem que esse negócio de sugar sangue é bacana!). Vampiros mordem nosso pescoço (se bem que esse negócio de morder pescoço também é bacana!).
Com certeza, TV é um teatro. Digo com propriedade porque sou apresentador de televisão. Quando, por exemplo, o apresentador de um telejornal diz “Boa Noite”, aquilo está se falando para uma máquina. Se fosse de frente pra milhares de pessoas, certamente, a emoção seria outra.
E assim são todos aqueles que trabalham em TV.
Quando o Robinho faz um gol e dá “tchau” para as câmeras, na melhor das hipóteses, aquela expressão foi pra mãe dele.
O telespectador, quando liga a TV, está com um vazio em si e acha que esse espaço será preenchido com o que verá na tela. Puro engano. O vazio fica ainda maior. O máximo que aqueles atores vão conseguir é fazer com que fiquemos parados e, talvez, compremos o produto dos patrocinadores.
Eu queria, na verdade, uma TV que fosse, não um “Teatro dos Vampiros”, mas, um “Teatro dos Amigos” ou, quem sabe, “Teatro dos Amores”.
Bom seria se pudéssemos olhar para a tela e saber que aquela pessoa, do outro lado, está realmente falando com a gente, em particular. Fazer um gol, mandar um “tchauzinho”, um beijo, jogar os cabelos. Seria a chance das pessoas que sentem saudade de quem não vêem há muito tempo. Aí sim, a televisão seria um meio de comunicação, pois comunicar é tornar comum. Teríamos em comum “uma só emoção”, como diria Galvão Bueno. Poderíamos ler a mente de alguém que nos quer dizer algo, ler os lábios, essas coisas. Porque, hoje, ver pela TV é só uma ficção, um sonho.

17 setembro 2008

HOMEM INTELIGENTE

Dizem que homem inteligente fascina uma mulher. Mas já ouvi dizer que mulher gosta mesmo é de dinheiro. Conversa do povo. Mas sei de um cara que é muito inteligente e ganha bem: o delegado Protógenes Queiroz, aquele da Operação Satiagraha. Talvez por isso, fiz umas comparações entre mim e ele. Percebi que temos poucas diferenças. A menor delas (a menor) está no salário. A diferença é muito pequena. É só acrescentar no meu salário um 0 (zero) na última casa decimal. No entanto, a maior das diferenças é a inteligência. Protógenes é muito inteligente. Eu quero ser daquele jeito quando crescer.
Estava o delegado Protógenes, no depoimento à CPI dos Grampos, defendendo as escutas telefônicas, quando disse aos parlamentares:

- Se não tomarmos posições agora, chegará o dia em que os senhores (os parlamentares) não estarão sentados nessas cadeiras, que terão mafiosos no lugar de vocês.



GREGOS E TROIANOS
Não se pode agradar a gregos e troianos. No tempo da Grerra de Troia, gregos eram inimigos mortais dos troianos. Heitor era grego. Aquile era troiano. Heitor matou o irmão de Aquiles. Aquiles matou Heitor. E o irmão de Heitor matou Aquiles.
Realmente não se pode agradar a gregos e baianos. Muita gente chega pra mim e diz que adora meus textos, mas já chegaram pra dizer que não gostam, "de coração".
Definitivamente, não se pode agradar a Deus e ao diabo, ao mesmo tempo. Ou Deus, ou o diabo. Mas nessas eleições vejo gente querendo agradar aos dois lados. Politiqueiro que em 2006 subiu no palco dos esquerdistas criticando o governo Lula agora dizem: "Eu sou Lula". Em Teresina, o Nazareno diz que é Lula, mas já vi Silvio compartilhar palanque com o Presidente da República. Em Timon, a prefeita Socorro andou tirando foto com o Lula, Luciano é Lula assumidíssimo, enquanto que a Uerly é a única petista do pedaço.
Segundo ditado popular, quando falamos de alguém, a orelha dessa pessoa fica quente. Se assim for, toda vez que a dona Marisa vai dar um cheiro no cangote do Presidente ela sente a catinga de sapecado, de tão quente que deve estar a orelha dele. De uma coisa podemos ter certeza, o nível de aprovação do Presidente da República está 100%, pois até a suposta oposição está com ele.
A verdade é que esses candidatos precisam se definir. A divergência é fundamental para o crescimento político. É importante que tenham idéias definidas ou vamos pensar que eles estão todos do mesmo lado ou mais perdidos que cachorro em caminhão de mudança. Sei que ninguém está em caminhão de mudança!
Outro só não está com a orelha quente porque já morreu: Wall Ferraz. Só por que foi eleito o melhor prefeito do Brasil (não sei por quais critérios). Sei que na hora da propaganda eleitoral no rádio e na televisão a poeira do cemitério levanta, de tanto os ossos do coitado sacudirem lá embaixo. Tem um punhado de candidatos a vereador que não sabe vender o peixe sem falar no difunto.
Por isso digo que precisamos saber se essa turma está do lado de Deus.. ou do diabo.


APRENDIZADO RELÂMPAGO
Aos 5 anos, Ângela, a filha caçula do então secretário de Educação do Estado do Piaui, Ubiraci Carvalho, atende a uma ligação telefônica:
- Cadê seu pai?
- Ele está no banheiro, fazendo cocô.
A mãe, professora Conceição, ouvindo a resposta da garotinha, ensina:
- Minha filha, não é assim que a gente diz. Diga apenas que o papai está no banheiro. Não precisa dizer o que ele está fazendo.
- Tá bem, mamãe.
O telefone toca outra vez, Ângela atende:
- Cadê seu pai?
- Olha, o papai está no banheiro, mas ele não tá fazendo cocô, não!

(Meus Senhores, Minhas Senhoras)

10 setembro 2008

MEU SEGREDO

Entre esses dois anos que estive afastado do blog, adquiri uma nova profissão: concurseiro. Cansei do setor privado e de não saber o dia de amanhã. No setor público, pelo menos, meus filhos vão ter uma boa herança. O diabo é entrar no serviço público. Só tem um jeito: através de concurso.
Fiz um cursinho preparatório. Lá o professor Márcio Lima falou que "não tem segredo": é só estudar. Realmente.
Um dos primeiros concursos que fiz foi para técnico do TRE da Paraíba. Eram 17 vagas e para elas concorriam 48 mil candidatos. Acertei 54 das 60 questões. Sai comemorando. O problema foi que os duzentos primeiros colocados acertaram todas as 60 questões. Fecharam a prova. Qual foi?! Os caras estudaram mais e tiveram mais sorte.
Agora estou me preparando para o Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. Uns 8 mil candidatos e nenhuma vaga. No final das contas, se o STJ precisar chamar alguém, será convocado o primeiro lugar. "Não tem segredo".
Pra estudar é o seguinte: durante o dia, meu trabalho já me toma 6 horas. Ainda preciso tirar duas horas pra academia, pois tenho problemas na coluna e atividade física é obrigatória. Aí me viro pra estudar nesse intervalo de tempo. Dá umas 5 horas de livro por dia. Só que para fechar a prova, preciso de mais. A estratégia é dormir menos. Na hora de dormir, acordo assustado pensando na prova. Fico sem paciência, brigo com todo mundo, as amizades vão embora. O resultado é o seguinte: chego morto ao fim-de-semana. A namorada diz que "não aguenta mais". Mas tem que ser assim. Não tem segredo.
Outra coisa é que preciso de dinheiro pras inscrições dos concursos: 70 reais cada uma. Ainda preciso pagar a viagem para fazer as provas: 500 reais ida e volta. Tá vendo como não tem segredo!? Só que lá em Brasília tem aqueles filhos de deputados, senadores e ministros que não precisam pagar viagem; são formados na universidade que organiza o concurso e ainda assistem aulas com os caras que elaboram as provas. O segredo está bem ai.
Pra não desistir, o lema do concurseiro: "A dor é passageira, mas o cargo é pra sempre".


SARAH MENEZES
Herói nem sempre vence
William Shakespeare, na Inglaterra, já dizia no século XVI: herói é a pessoa que fez o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Acontece que a história é bem mais dura que os desenhos animados sempre mostram. A verdade é que herói nem sempre vence.
Ninguém chega a uma olimpíada campeão. Todos que estão ali sabem que podem vencer ou perder. Fica até difícil falar em possibilidades. Não foi pela chance de uma medalha que o Piauí ficou orgulhoso de Sarah Meneses. Foi por ter subido lá para enfrentar as melhores lutadoras do planeta, pro mundo inteiro ver.
Após ser convocada para a Seleção Brasileira, Sarah só pregava um discurso: "representar bem o Piauí lá fora". Na verdade, ela queria levantar nossa bandeira naquele pódio. Nem tinha idade para estar na principal categoria do Judô e foi escolhida como a melhor para representar o país em Pequim. Não pediu nem comprou voto. Foi competência e puro suor. Mérito dela e do técnico Expedito Falcão. Sempre acreditaram que seria possível chegar lá. Um sonho que começou a ser construído pela família Queiroz, ao implantar o Judô no Piauí. O professor Abdias e seus filhos, que, aliás, nem são piauienses, mas acreditam em nosso estado, como nem os próprios piauienses costumam acreditar.
Herói não é só aquele que vence. O Piauí tem outros heróis. Na política, temos os Heróis do Jenipapo, que morreram lutando por liberdade. Estão lá, enterrados, quase esquecidos, no anonimato. Temos esse hábito: não dar valor a quem nos dá valor. Numa guerra, a morte do inimigo é o meio para se triunfar. Nos Jogos Olímpicos, é diferente: a vida é o meio. O que vale é vencer e poder abraçar o adversário após a batalha.
Sarah perdeu na primeira luta, é verdade. Era um risco que precisava correr. Foi pouco mais de um minuto, mas, nesse esporte, basta meio segundo para aplicar um golpe e vencer. Não existe empate. Como ela disse, faz parte do jogo. Para o futuro, a menina faz planos, segundo a filosofia do Judô: "Se tropeçar, não pare! Se cair, levanta!" Sarah ainda pode disputar mais três olimpíadas. É fácil: basta sempre ser a melhor nos campeonatos brasileiros, continentais e mundiais. Ser a melhor entre as milhares de brasileiras que praticam essa modalidade. Ser a melhor sem patrocínio, sem dinheiro para viajar e, ainda assim, manter-se nas disputas.
No Brasil, costuma-se receber campeões em carreatas. Sarah não nos trouxe a medalha, mas merece ser recebida pelos braços de um povo que aprendeu: sonhos podem ser realizados. E pelo pouco que conheço nossa judoca, ela não vai desistir de buscar o pódio olímpico. A próxima chance é daqui a quatro anos, na terra de Shakespeare. Cabe a nós torcer para, quem sabe, nossa heroína, mais uma vez, levar o Piauí ao topo do mundo.

09 setembro 2008

LAMPIÃO: O Homem Nasce Bom

Existem, pelo menos, dois Lampiões: um é assassino inconseqüente, bandido cruel e sem nenhum sentimento. Deste não vou falar, pois o imaginário popular já cuida disso e sobre ele inventa. Vou me retratar ao jovem sertanejo, trabalhador, poeta, de família pobre, do sertão.

Virgulino Ferreira da Silva nasceu em junho de 1898, em Serra Talhada, Pernambuco. Era o terceiro dos filhos de José Ferreira dos Santos e de Maria Lopes. Juntos trabalhavam na criação de animais e na lavoura. Ele era ligado a avó, com quem aprendeu a fazer renda e, para ela, criou a famosa composição: “Olê, Mulher Rendeira, Olê mulhé rendá Tu me ensina a fazer renda, eu te ensino a namorá.”.

Fora de casa, havia um Nordeste tomado pela injustiça, onde só latifundiários e coronéis tinham vez. Virgulino nasceu, cresceu e viveu em meio às sangrias do sertão, nas disputas de poder político regado a morte. A família precisou fugir de ladrões que recebiam apoio da polícia e de fazendeiros. A mãe dona Maria não agüentou as andanças pela caatinga e morreu de infarto. Dias depois, o pai dele foi executado a tiros. Virgulino decidiu então lutar até a morte. Era difícil pensar diferente, numa época em que não se podia contar com polícia, promotor ou juiz. O que valia era a lei do povo, mais severa que “olho por olho e dente por dente”.

Qualquer homem ofendido tinha a resposta no cano de uma espingarda. Foi assim que morreu o sertanejo trabalhador e nasceu o cangaceiro: Lampião. Foram centenas de batalhas contra forças policiais patrocinadas por grandes fazendeiros. O rei do cangaço odiava traição. Apreciava a lealdade e o respeito.

O grupo de Virgulino era formado por pessoas que, como ele, se sentiam injustiçadas e sofriam sem força para, sozinhas, reagir. Os cangaceiros de Lampião saqueavam e matavam, mas não eram mais violentos que os policiais que o perseguiam. Virgulino Ferreira morreu no dia 28 de julho de 1938, a tiros, numa encurralada, na Grota do Angico, em Sergipe.

Pretendo aqui destacar que para falar de Lampião é preciso conhecê-lo. E mais importante que conhecer é compreender. Dizem ter sido ele um bandido, sanguinário, cruel e inconseqüente. Esquecem que foi, nada menos, que um produto do meio. Nada mais foi do que uma resposta à insatisfação social do camponês contra a prepotência do latifundiário. Quantos Virgulinos não existiram e, por que não dizer, ainda existem?

Lampião não teria entrado para a história se não fosse tão carismático e contraditório. Era generoso, justo, prudente, arrojado e, ao mesmo tempo, cruel. Era um homem que assaltava e rezava. Era católico. Tinha profundo respeito pela igreja. Dava esmolas aos necessitados.

Pessoa de um coração abafado por angústias de dor, sofrimento e saudade. Queria um dia deixar o cangaço e se tornar comerciante, mas não conseguiu. Era muito perseguido. Escolheu comandar o mais sincero e rigoroso protesto, mesmo que isso tenha lhe custado ver as mãos sujas de sangue. Infelizmente, errou por não entender que a melhor revolução é a que se faz sem violência. Não foi a estrela que os sertanejos sonhavam, mas deu luz ao nordestino que implorava por paz, igualdade e justiça. Tudo ao preço de suor, pesadelo, morte, lágrimas e vidas destruídas.

Foi condutor duro, inflexível, com frieza no olhar, mas nunca deixou de ser um homem que se emocionava, diante de tanta dor e tristeza. Encontrava alegria, em meio ao tormento, e ainda foi capaz de dedicar amor a sua Maria Bonita, até a morte.

O Rei do Cangaço

Virgulino tinha uma vida de batalhas, vinganças, mortes, perdas, saques e fugas pelos espinhos da caatinga. Lampião e seu grupo passavam fome, dias sem comer, mas, ao contrário do que muitos pensam, não eram mendigos, mas pessoas de posses e que tinham vaidade. Não eram maltrapilhos. Vestiam paletó, pelo menos, até 1926, quando Virgulino Ferreira e seus dois irmão receberam, do governo federal, patentes de oficiais das forças armadas. A intenção era que eles combatessem o movimento tenentista. Tais combates, na verdade, nunca vieram a ocorrer.

Como integrantes do Batalhão Patriótico, e Lampião sendo capitão, o grupo passou a usar uniformes e armas do exército brasileiro, o que deixou sua situação ainda pior, ao ser confundido com as forças policiais que faziam terríveis atrocidades pelo sertão. No final das contas, tudo era atribuído a ele.

Lampião foi o Rei do Cangaço, mas não foi o fundador desse movimento. Foi o mais expressivo dos cangaceiros. O título de rei, no entanto, custava-lhe muito caro. Muita gente só ouvia falar dele, mas não o conhecia. Outros cangaceiros aproveitavam isso para roubar, violentar meninas, matar e, ao final de tudo, diziam que eram Lampião. Por conta do acaso, aconteceu até de, um dia, o verdadeiro Rei do Cangaço ter sido abordado por bandidos dizendo serem do grupo de Lampião, sem saberem que estavam falando com o próprio.