MEU SEGREDO
Entre esses dois anos que estive afastado do blog, adquiri uma nova profissão: concurseiro. Cansei do setor privado e de não saber o dia de amanhã. No setor público, pelo menos, meus filhos vão ter uma boa herança. O diabo é entrar no serviço público. Só tem um jeito: através de concurso.
Fiz um cursinho preparatório. Lá o professor Márcio Lima falou que "não tem segredo": é só estudar. Realmente.
Fiz um cursinho preparatório. Lá o professor Márcio Lima falou que "não tem segredo": é só estudar. Realmente.
Um dos primeiros concursos que fiz foi para técnico do TRE da Paraíba. Eram 17 vagas e para elas concorriam 48 mil candidatos. Acertei 54 das 60 questões. Sai comemorando. O problema foi que os duzentos primeiros colocados acertaram todas as 60 questões. Fecharam a prova. Qual foi?! Os caras estudaram mais e tiveram mais sorte.
Agora estou me preparando para o Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. Uns 8 mil candidatos e nenhuma vaga. No final das contas, se o STJ precisar chamar alguém, será convocado o primeiro lugar. "Não tem segredo".
Pra estudar é o seguinte: durante o dia, meu trabalho já me toma 6 horas. Ainda preciso tirar duas horas pra academia, pois tenho problemas na coluna e atividade física é obrigatória. Aí me viro pra estudar nesse intervalo de tempo. Dá umas 5 horas de livro por dia. Só que para fechar a prova, preciso de mais. A estratégia é dormir menos. Na hora de dormir, acordo assustado pensando na prova. Fico sem paciência, brigo com todo mundo, as amizades vão embora. O resultado é o seguinte: chego morto ao fim-de-semana. A namorada diz que "não aguenta mais". Mas tem que ser assim. Não tem segredo.
Outra coisa é que preciso de dinheiro pras inscrições dos concursos: 70 reais cada uma. Ainda preciso pagar a viagem para fazer as provas: 500 reais ida e volta. Tá vendo como não tem segredo!? Só que lá em Brasília tem aqueles filhos de deputados, senadores e ministros que não precisam pagar viagem; são formados na universidade que organiza o concurso e ainda assistem aulas com os caras que elaboram as provas. O segredo está bem ai.
Pra não desistir, o lema do concurseiro: "A dor é passageira, mas o cargo é pra sempre".
Agora estou me preparando para o Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. Uns 8 mil candidatos e nenhuma vaga. No final das contas, se o STJ precisar chamar alguém, será convocado o primeiro lugar. "Não tem segredo".
Pra estudar é o seguinte: durante o dia, meu trabalho já me toma 6 horas. Ainda preciso tirar duas horas pra academia, pois tenho problemas na coluna e atividade física é obrigatória. Aí me viro pra estudar nesse intervalo de tempo. Dá umas 5 horas de livro por dia. Só que para fechar a prova, preciso de mais. A estratégia é dormir menos. Na hora de dormir, acordo assustado pensando na prova. Fico sem paciência, brigo com todo mundo, as amizades vão embora. O resultado é o seguinte: chego morto ao fim-de-semana. A namorada diz que "não aguenta mais". Mas tem que ser assim. Não tem segredo.
Outra coisa é que preciso de dinheiro pras inscrições dos concursos: 70 reais cada uma. Ainda preciso pagar a viagem para fazer as provas: 500 reais ida e volta. Tá vendo como não tem segredo!? Só que lá em Brasília tem aqueles filhos de deputados, senadores e ministros que não precisam pagar viagem; são formados na universidade que organiza o concurso e ainda assistem aulas com os caras que elaboram as provas. O segredo está bem ai.
Pra não desistir, o lema do concurseiro: "A dor é passageira, mas o cargo é pra sempre".
SARAH MENEZES
Herói nem sempre vence
William Shakespeare, na Inglaterra, já dizia no século XVI: herói é a pessoa que fez o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Acontece que a história é bem mais dura que os desenhos animados sempre mostram. A verdade é que herói nem sempre vence.
Ninguém chega a uma olimpíada campeão. Todos que estão ali sabem que podem vencer ou perder. Fica até difícil falar em possibilidades. Não foi pela chance de uma medalha que o Piauí ficou orgulhoso de Sarah Meneses. Foi por ter subido lá para enfrentar as melhores lutadoras do planeta, pro mundo inteiro ver.
Após ser convocada para a Seleção Brasileira, Sarah só pregava um discurso: "representar bem o Piauí lá fora". Na verdade, ela queria levantar nossa bandeira naquele pódio. Nem tinha idade para estar na principal categoria do Judô e foi escolhida como a melhor para representar o país em Pequim. Não pediu nem comprou voto. Foi competência e puro suor. Mérito dela e do técnico Expedito Falcão. Sempre acreditaram que seria possível chegar lá. Um sonho que começou a ser construído pela família Queiroz, ao implantar o Judô no Piauí. O professor Abdias e seus filhos, que, aliás, nem são piauienses, mas acreditam em nosso estado, como nem os próprios piauienses costumam acreditar.
Herói não é só aquele que vence. O Piauí tem outros heróis. Na política, temos os Heróis do Jenipapo, que morreram lutando por liberdade. Estão lá, enterrados, quase esquecidos, no anonimato. Temos esse hábito: não dar valor a quem nos dá valor. Numa guerra, a morte do inimigo é o meio para se triunfar. Nos Jogos Olímpicos, é diferente: a vida é o meio. O que vale é vencer e poder abraçar o adversário após a batalha.
Sarah perdeu na primeira luta, é verdade. Era um risco que precisava correr. Foi pouco mais de um minuto, mas, nesse esporte, basta meio segundo para aplicar um golpe e vencer. Não existe empate. Como ela disse, faz parte do jogo. Para o futuro, a menina faz planos, segundo a filosofia do Judô: "Se tropeçar, não pare! Se cair, levanta!" Sarah ainda pode disputar mais três olimpíadas. É fácil: basta sempre ser a melhor nos campeonatos brasileiros, continentais e mundiais. Ser a melhor entre as milhares de brasileiras que praticam essa modalidade. Ser a melhor sem patrocínio, sem dinheiro para viajar e, ainda assim, manter-se nas disputas.
No Brasil, costuma-se receber campeões em carreatas. Sarah não nos trouxe a medalha, mas merece ser recebida pelos braços de um povo que aprendeu: sonhos podem ser realizados. E pelo pouco que conheço nossa judoca, ela não vai desistir de buscar o pódio olímpico. A próxima chance é daqui a quatro anos, na terra de Shakespeare. Cabe a nós torcer para, quem sabe, nossa heroína, mais uma vez, levar o Piauí ao topo do mundo.

1 Comments:
Pois é concurseiro, dia desses te vi no IEMP. Imaginei mesmo que agora tivesses nessa outra profissão. Eu tava lá fazendo um curso de criatividade organizacional! Acho que falta isso para algumas empresas.
E com relação a Sarah Menezes(só num sou parente dela por causa de um "s", Jex Meneses, rs) ela representou bem o nosso Estado. Só em ter ido já foi uma grande vitória. Como vc bem frisou falta patrocínio e reconhecimento. Acredito que se tivesse mais empresários engajados em invistir nos nossos atletas, com certeza, outras Sarah's surgiriam. Valeu!!
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