VOTE EM MIM
Era segundo turno da eleição para governador do Piauí, em 1994. O candidato do PFL e do governo, deputado federal Átila Lira, foi abandonado às feras. Muitos de seus aliados do primeiro turno se atropelavam na correria por uma vaguinha no palanque de Mão Santa. Coisa da política.
Como as águas que correm para o mar, os votos dos piauienses todos desaguavam em Mão Santa, até mesmo os dos petistas de carteirinha.
Na passagem dos 100 dias do novo governo, o líder do PT na Assembléia Legislativa, deputado Wellington Dias, pronunciava inflamado discurso contra Mão Santa. Acusava-o de ter esquecido os compromissos assumidos em praça pública.
Robert Freitas, líder das oposições, tira uma casquinha com o petista:
- Vossa Excelência está com arrependimento de ter votado no Mão Santa, nobre deputado? Ou o seu PT não votou nele no segundo turno?
Wellington Dias não engoliu a ferina provocação:
- O PT não tirou posição pra votar em Mão Santa. Os petistas votaram nele porque tiveram que escolher o candidato menos ruim. E o de Vossa Excelência era tão ruim que nem seus próprios correligionários votaram nele.
TO BE or NOT TO BE
That's the question. Qual a diferença entre o inteligente, o sabido e o esperto? Eu, por exemplo, estudo, estudo, e não passo num concurso. Dizem que sou esforçado, mas não dizem que sou inteligente. Então devo ser burro.
Dizem que é difícil se descobrir o talento. Sei que mais difícil ainda é esconder a burrice.
Perdi minha carteira de identidade e fui tirar a segunda via, na Secretaria de Segurança. Em lá chegando, fui recebido com uma vergonhosa grosseria. Sem contar que ninguém queria me receber.
- Mazé, atende aqui esse menino!
- Eu não, mermã, meu horário tá acabando.
- Luís, vê aqui o que ele quer!
- Vai-te à merda! Me larga de mão!
Só por isso percebi que ali não deveriam ser funcionários concursados, mas os famosos "costas largas". Eles se fazem de funcionários públicos, mas, na verdade, conseguiram entrar pela janela. Esses são os "sabidos". Já o "Esperto" é aquele que põe essa turma burra para trabalhar, pois assim é cabo eleitoral garantido para as próximas eleições. Aliás, "cabo eleitoral" não, mas "coordenador de campanha".
Sei que nesse lenga-lenga a administração pública vai de mal a pior. E aí pergunto: por que não exonar toda essa turma pra contratar pessoas realmente capazes? Resposta: "Quem tem égua não compra cavalo."
NÃO DÁ
Minha namorada não conhecia o litoral piauiense. Eu, pra bancar o romântico, dei esse presente a ela. Fomos passar o último reveillon em Luís Correia. O tiro saiu pela culatra. Em lá chegando, quase não conseguimos hospedagem. A casa onde ficaríamos estava lotada. Fomos pra outra, também lotada, mas com uma vaguinha pra duas redes no mesmo armador. Problema era para as refeições. Todo dia saíamos para almoçar ou jantar e, com os restaurantes todos lotados, terminávamos no cachorro quente. No melhor dia, conseguimos uma pizza grande e guardamos um pedaço pro café da manhã: nescau e pizza. Ótimo! Para conseguir vaga nas barracas das praias tradicionais era um tormento. Certo dia, caí na besteira de ir a Atalaia. Entrei num engarrafamento às 10 da manhã. Saí às 3 da tarde. Minha namorada, com um ótimo senso de humor, passou bronzeador dentro do carro e começou a pegar sol ali mesmo. Eu estava com a cabeça tão quente quanto a água do radiador do carro.
Definitivamente, aquela cidade não tem estrutura. E ainda falam em desenvolver o turismo no litoral do Piauí. Sinceramente! Dizem que lá tem um aeroporto internacional, mas não sei onde fica. Tem um que parece uma selva de tanto mato. Deveriam, pelo menos, fazer uma capina antes que qualquer avião pousasse. Tem tanta cobra nesse aeroporto que o chão parece estar vivo, lembra o filme Indiana Jones.
Um dos maiores incentivadores desse desenvolvimento é um amigo meu, Joaquim Vidal. É ele quem promove o Rally do Agreste, campeonatos sul-americanos de Windsurf em Luís Correia. Conta ele que, certa vez, veio um grupo de jornalistas europeus, no intuito de divulgar a região. O tiro saiu pela culatra. Os gringos ficaram impressionados com o que viram. Até o hotel Pousada dos Ventos, o melhor de Parnaíba, foi criticado. Encontraram tanto barata que chegaram a chamar de Pousada das Baratas. Brincaram dizendo que o aparelho de ar condicionado era dos Flinstones, movido a força animal: um rato.
Os jornalistas foram levados ao Delta. Uma mentira sem tamanho. O Delta do Parnaíba é enorme e não conheceram 10%. É como se tivessem saído pra conhecer uma cidade e só dessem uma volta no quarteirão.
O empresário Danilo Damásio caiu na mesma besteira. Ele levou um grupo de industriais chineses para passar uns dias em Luis Correia. Na viagem, comeram uma paçoca em Campo Maior. Comida feita na gordura de um mês. Resultado: os chineses passaram mal. Precisaram parar num posto de gasolina em Piriripi. A turma no banheiro estava demorando. Quando Danilo foi saber o motivo, os industriais estavam tentando se limpar passando a mão na bunda e limpando na pia, porque não tinha papel no banheiro. Já no litoral, os orientais quiseram comer e beber de tudo, mas nem tudo mundo aceitava cartão.
Falando sério: eu amo Luís Correia e Parnaíba. Morar em uma dessas cidades seria um sonho pra mim. Mas desenvolver o turismo lá, do jeito que tá, não dá.
