PREVISÃO DO TEMPO 2 (com Laércio Caldas)
Se tem uma coisa que me impressiona em Teresina é o céu.
Agora em setembro, Teresina tem o céu azul, com poucas nuvens, e muitas e muitas vezes, nuvem nenhuma. Completamente azul, um azul profundo, um azul arrebatador. Um azul que hipnotiza. Um azul do céu do Show de Truman. O céu de Teresina é um céu de estúdio de cinema.
Sempre que olho para o céu de Teresina, imagino que, a qualquer momento, vou ser obrigado a dar um salto para escapar de um refletor que vai, desavisadamente, cair sobre minha cabeça. Sempre tenho a impressão de que, se eu subir em um prédio alto, é só estender a mão e tocar o céu, e sentir que o mundo acaba ali, nas pontas dos meus dedos.
No Show de Truman, a vida abaixo daquele azul impressionante é quase perfeita. Truman é respeitado. Truman é querido. As pessoas são cordiais e se cumprimentam, se conhecem pelo nome. É possível fazer coisas que em nenhuma outra cidade do mundo hoje são possíveis. Debaixo do céu de Truman tudo é coreografado, as cores são vivas, as ruas são limpas. O mundo é um pouco como deveria ser.
Teresina tem o céu do Show de Truman. E, em alguns momentos, nos faz pensar que também é uma cidade que não existe. Abaixo do céu que Teresina, a vida também corre em um ritmo diferente. A vida tem um cheiro diferente, cores diferentes, sorrisos diferentes. Já me peguei, algumas vezes, sentado em uma cadeira colocada na calçada apenas olhando o céu azul. Já me surpreendi, muitas e muitas vezes, observando andorinhas em pleno o céu da cidade. Quantas e quantas vezes já não olhei, no fim da tarde, um por do sol dourado, como em nenhum outro lugar. Teresina, onde o céu existe de verdade, tem o tamanho exato pra mim: nem tão pequena que me entedie, nem tão grande que me assuste. Aqui, a cidade ainda não engoliu a vida. Aqui, o cinza do concreto ainda não desbotou a alegria. Aqui, o asfalto ainda não deixou de espalhar o cheiro de terra molhada.
No show de Truman, uma lua enorme estava sempre presente no céu azul. Era de lá que o diretor orquestrava tudo. Hoje, quando olho pela janela e vejo, às 5 da tarde, uma branca lua cheia no céu azul de Teresina, fica difícil resistir e, confesso, não resisto: faço um aceno pra Lua, porque acredito que, de lá, alguém está olhando pra gente, e é alguém que merece um tchauzinho, mesmo porque nos deu a chance de estar aqui.
Olhando para cima e vendo do céu que Teresina tem, vejo que a vida real é, sim, muito melhor que no cinema. Porque, no final do Show de Truman, ele descobre que estava sendo personagem de uma grande farsa, e encontra uma porta azul que vai dar direto na vida de verdade.
Pois o céu azul daqui é melhor que o céu azul de Truman. Porque, ao descobrir a tal porta, Truman vai embora. E eu, apenas de saber que debaixo do meu céu azul existem muitas, muitas portas, que levam a muitos, muitos lugares, prefiro ficar.
Agora em setembro, Teresina tem o céu azul, com poucas nuvens, e muitas e muitas vezes, nuvem nenhuma. Completamente azul, um azul profundo, um azul arrebatador. Um azul que hipnotiza. Um azul do céu do Show de Truman. O céu de Teresina é um céu de estúdio de cinema.
Sempre que olho para o céu de Teresina, imagino que, a qualquer momento, vou ser obrigado a dar um salto para escapar de um refletor que vai, desavisadamente, cair sobre minha cabeça. Sempre tenho a impressão de que, se eu subir em um prédio alto, é só estender a mão e tocar o céu, e sentir que o mundo acaba ali, nas pontas dos meus dedos.
No Show de Truman, a vida abaixo daquele azul impressionante é quase perfeita. Truman é respeitado. Truman é querido. As pessoas são cordiais e se cumprimentam, se conhecem pelo nome. É possível fazer coisas que em nenhuma outra cidade do mundo hoje são possíveis. Debaixo do céu de Truman tudo é coreografado, as cores são vivas, as ruas são limpas. O mundo é um pouco como deveria ser.
Teresina tem o céu do Show de Truman. E, em alguns momentos, nos faz pensar que também é uma cidade que não existe. Abaixo do céu que Teresina, a vida também corre em um ritmo diferente. A vida tem um cheiro diferente, cores diferentes, sorrisos diferentes. Já me peguei, algumas vezes, sentado em uma cadeira colocada na calçada apenas olhando o céu azul. Já me surpreendi, muitas e muitas vezes, observando andorinhas em pleno o céu da cidade. Quantas e quantas vezes já não olhei, no fim da tarde, um por do sol dourado, como em nenhum outro lugar. Teresina, onde o céu existe de verdade, tem o tamanho exato pra mim: nem tão pequena que me entedie, nem tão grande que me assuste. Aqui, a cidade ainda não engoliu a vida. Aqui, o cinza do concreto ainda não desbotou a alegria. Aqui, o asfalto ainda não deixou de espalhar o cheiro de terra molhada.
No show de Truman, uma lua enorme estava sempre presente no céu azul. Era de lá que o diretor orquestrava tudo. Hoje, quando olho pela janela e vejo, às 5 da tarde, uma branca lua cheia no céu azul de Teresina, fica difícil resistir e, confesso, não resisto: faço um aceno pra Lua, porque acredito que, de lá, alguém está olhando pra gente, e é alguém que merece um tchauzinho, mesmo porque nos deu a chance de estar aqui.
Olhando para cima e vendo do céu que Teresina tem, vejo que a vida real é, sim, muito melhor que no cinema. Porque, no final do Show de Truman, ele descobre que estava sendo personagem de uma grande farsa, e encontra uma porta azul que vai dar direto na vida de verdade.
Pois o céu azul daqui é melhor que o céu azul de Truman. Porque, ao descobrir a tal porta, Truman vai embora. E eu, apenas de saber que debaixo do meu céu azul existem muitas, muitas portas, que levam a muitos, muitos lugares, prefiro ficar.
